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Está disponível para download este livro que abre horizontes sobre o Apocalipse e o Antigo Testamento, obra que já foi referenciada por Haroldo Dutra Dias nos seus estudos:

– Link “As Quatro Babilônias” de Marius Coeli (1939):

 

AS QUATRO BABILÔNIAS

Passos  Lírio

Ninguém há, afeito a  compulsar o Velho e o Novo Testamentos, que desconheça as dificuldades com que  nos defrontamos na interpretação das passagens de um e de outro, algumas das  quais quase inapreensíveis em seu sentido intrínseco, dado o simbolismo em que  se engastam.

 Nem é por outra razão que,  nos domínios da exegese ou hermenêutica, proliferam livros das mais variadas  escolas religiosas, em que os autores, diversificados entro si, empenham-se em  dar as interpretações dos textos sagrados, ansiosos de fazer valer suas opiniões  sobre as dos demais, embora nem sempre sejam precisamente exatos e felizes nos  conceitos expandidos.

O fato é que o  entendimento e a assimilação da Verdade (melhor diríamos de parcelas da verdade)  dependem menos dos que pretendem no-la ensinar do que de nossa capacidade de  apreendê-la, que varia de indivíduo para indivíduo, segundo o grau de  compreensão de cada um, vale dizer, da posição evolutiva em que nos  encontremos.

Todavia, depois da eclosão  ostensiva e generalizada da mediunidade, dentro e fora dos domínios espiritistas  – porque todos o sabem: o mediunismo não é criação nem privatividade do  Espiritismo -, alguns escritores, encarnados e desencarnados, estes como  agentes, aqueles como instrumentos, hão conseguido captar as revelações de parte  dos segredos da soberana Esfinge e faz faze-las chegar ao conhecimento do povo,  notadamente dos estudiosos, em condições plenamente satisfatórias, sem  contestação possível – tal a evidência com que no-las  apresentam.

 Por outro lado, nenhum de nós desconhece  que, dentre os livros sagrados (assim são considerados), o Apocalipse, inserto  no Novo Testamento, é um dos de mais difícil interpretação, em face da variedade  e variação de imagens simbólicas de que se reveste a linguagem, eminentemente  figurada ou figurativa, do famoso clarividente da Ilha de Patmos, cuja visão  profética entrou pelos séculos e milénios, alcançando mesmo, em suas incursões  no tempo e no espaço, a plenitude dos nossos dias, ou seja, dos acontecimentos  hodiernos.  Dir-se-ia ser, por antecipação, o Albert Einstein da cronologia dos  episódios históricos de múltiplas e sucessivas idades e gerações.

 Mas, houve alguém, com  vinculações a conhecida crença religiosa, mas insuspeito, porque isento de  paixões e preconceitos, que, assistido por Espíritos Superiores, conseguiu  penetrar nos meandros sinuosos da palavra profética de João Evangelista,  devassando-lhe os aspectos velados do pensamento e dando-lhes configurações  perfeitamente ajustadas ao alcance do nosso entendimento, ante as interpretações  razoavelmente claras com que no-las mostra e demonstra.

 Esse alguém, bastante  imparcial, foi Marius Coeli.

 E quem lhe conceitua o  livro “As Quatro Babilónias”, assim em termos de grandeza e profundidade, é  precisamente o Dr. Luiz Olympio Guillon Ribeiro, outro notabilíssimo exegeta,  capaz de comentar horas seguidas um versículo evangélico, tanta era sua erudição  e perspicácia, segundo dele dizia o seu sucessor na Presidência da Federação  Espírita Brasileira, Antônio Wantuil de Freitas.

 Em duas oportunidades,  referiu-se ele à obra.

 Na primeira, em  “Reformador” de novembro de 1939, escreveu:

 “Este título é o de uma  obra extraordinária, única, podemos dizer, no seu gênero, publicado há mais ou  menos um ano, tendo por autor Marius Coeli, pseudónimo de ilustrado engenheiro  residente em S. Paulo.

 Para bem lhe expressarmos  a singularidade e a importância verdadeiramente excepcional, bastar-nos-ia,  talvez, declarar que ainda não víramos, e certamente não existe, tão completa,  clara, lógica e concludente interpretação e explicação das profecias simbólicas  do “Apocalipse”, como as que se nos depararam nessa obra monumental, vinda a  lume no momento oportuno, porquanto a sua divulgação se dá quando próximo vem o  surto avassalador do “Anticristo”, ali mostrado com todas as suas  características, e ao qual se seguirá de perto a segunda descida do Cristo,  Senhor do mundo, a Implantar definitivamente na Terra o seu  reino.

O que há, porém, de mais  relevante em “As Quatro Babilônias” é que o estudo interpretativo e a análise  elucidativa dos símbolos e dos números apocalípticos não são feitos unicamente  pelos textos da Revelação do Vidente de Palmos, mas mediante o confronto amplo e  a conjugação segura desses textos com os das principais profecias do Antigo  Testamento, notadamente as de Daniel e lsaías.

É de tal modo preciso esse  confronto, ião empolgante pela sua naturalidade aquela conjugação de textos e  tão numerosos os considerados, que evidente se torna não ser a obra de que  tratamos fruto exclusivo do engenho, do intelecto de um homem, porque nenhum  fora capaz de escrever, com semelhante cunho, em pouco mais de dois anos, um  trabalho como esse que, então, demandaria, pelo menos, toda uma existência, cuja  maior parte se consumiria na pesquisa e anotação dos pontos escriturísticos a  serem postos em paralelo com os do “Apocalipse”, tomados um a um, como  complementos daqueles, ou sobre eles baseados!

Temos, pois, para nós que a de que falamos é, genuinamente, uma das  grandes e das admiráveis obras mediúnicas de que se mostram pródigos os tempos  atuais, pela razão mesma de serem esses tempos os em que, segundo as previsões  evangélicas, as faculdades medianímicas alcançariam portentoso desenvolvimento,  que outra coisa não quiseram tais previsões exprimir, referindo-se à época em  que os velhos teriam sonhos, visões as crianças e os mancebos profetizariam,  ato.

Depois de estudar meticulosamente, nas  páginas proféticas do “Apocalipse”, orientado pelas narrativas simbólicas das  Escrituras, a formação. o engrandecimento e a queda de três das Babilónias  constantes dessa revelação, Marius Coeli faz o mesmo com relação à Quarta e  última, a que aí está, patenteando aos olhos, até dos que ainda não os tenham de  ver claro, a série doa acontecimentos tremendos e fulminantes que se vão daqui  por diante desenrolar e que chegarão aos primeiros anos do terceiro milénio, que  se assinalará pela constituição ostensiva da verdadeira Igreja Universal do  Cristo.  Comprovando, com surpreendente precisão, a realização exala das  profecias nos séculos já decorridos desde muito antes de iniciar-se a era atual,  “As Quatro Babilônias” dissipa as obscuridades do simbolismo usado no  “Apocalipse”, e o cenário dos formidáveis sucessos que vão desenrolar-se no  palco do mundo se apresenta às vistas assombradas de quem lhe perlustra as  páginas, marcando o encerramento de um dos grandes períodos da evolução humana,  com o aniquilamento final da “Besta”, e a abertura de uma nova fase da mesma  evolução.  E tudo em conformidade perfeita com as palavras, também proféticas,  de Jesus, conservadas nos Evangelhos, anunciando o fim do mundo do erro e da  mentira, caracterizado pela “Implantação da desolação no lugar santo”, o advento  do novo mundo, o do Cristianismo em espírito o verdade.”

 Na segunda oportunidade,  em “Reformador” de janeiro de 1940, ressalta o Dr. Guillon Ribeiro o que disse,  acrescentando outros tópicos, com o escopo de divulgar uma mensagem dada por  Emmanuel, comprobatória dos termos da sua conceituação anteriormente  expandida.

Vamos, ainda agora, às  suas palavras:

“Tão surpreendente se nos  antolhou a maneira racional por que o autor de “As Quatro Babilónias” conseguiu  varar a obscuridade profunda do estranho e formidável simbolismo de que se  serviu o Vidente de Palmos, para descrever a sua visão profética, tão ingente se  nos patenteou o esforço que esse deslindamento da narrativa apocalíptica  demandava, tão superior às possibilidades restritas de uma inteligência humana,  ainda que das mais potentes o melhor aparelhadas, que não trepidamos em  qualificar como de natureza essencialmente mediúnica o trabalho de Marius Coeli.  (… )

 Pois bem, digamos agora  por que recordamos hoje o que expandamos há dois meses acerca da obra magistral  daquele devotado irmão nosso que, chegado o momento predeterminado do Alto,  soube constituir-se maleável instrumento pelo qual as vozes do céu houveram por  bem tornar compreensível ao homem, ao soar a hora do cumprimento integral das  profecias ali contidas, uma das partes mais notáveis das sagradas Escrituras e  de cuja significação o entendimento humano ainda não pudera  assenhorear-se.

 É que tivemos a satisfação  viva de ver confirmados, pelo grande Espírito Emmanuel, em mensagem de 2 do mês  corrente, transmitida na presença de um dos nossos companheiros, o Vice –  Presidente da Federação, por via do excelente médium Francisco Xavier, os  conceitos que emitíramos com relação à obra de que tratamos, ao seu gênero, à  sua significação e à razão de ser da sua inspiração neste instante amargurado  que a humanidade está vivendo.” (… )

 “Meus amigos, Deus vos  conceda muita paz.

 Pobre servo de Jesus, não  vos venho trazer a palavra de sabedoria, mas a da cooperação fraterna, em sua  misericórdia, para o estudo de nossas expressões evolutivas, em caminho da  espiritualidade luminosa.

 Quero referir-me ao vosso desejo de  nossa manifestação sobre “As Quatro Babilônias”, repositório de numerosas  elucidações oriundas do Alto, isto é, do plano divino, de cujo reservatório de  verdades emanou o pensamento profundo dessa obra.  Não só o instrumento humano o  falível contribuiu para esse evento, grande número de enviados cooperou na  exposição desse trabalho sadio, dando curso às mais sublimes Inspirações.  Nem  mesmo um cérebro perecível poderia avançar tanto nesse caminho de  concepções, tão-somente com a pobreza das possibilidades materiais.  Somente o  Espírito, apreendendo a luz divina, percorrendo a estrada dos acontecimentos e  perquirindo a sagrada semeadura, nos tempos mais remotos, poderia realizar esse  esforço, trazendo ao conhecimento humano a chave da revelação, nas suas  características universalistas.

 Podemos adiantar ainda  que, nos planos espirituais mais próximos da Terra se organizam núcleos  devotados ao bem e à verdade, sob a égide do Senhor, de maneira a preparar-se a  mentalidade evangélica esperada para o milênio futuro, depois de grande ceifa em  que o orbe terá de renovar os seus caracteres. É natural que esses núcleos de  entidades amorosas e sábias se aproximem das coletividades que já conseguiram  realizar as melhores edificações no terreno definitivo da construção espiritual.  A Europa, nas suas expressões de decadência, não conseguiria receber semelhantes  vibrações. Numa hora destas, em que o Velho Mundo ouve, amargurado, os mais  dolorosos ais do Apocalipse.

 É por essa razão que os  Espíritos do bem e da sabedoria buscam a América, para continuação da tarefa  sagrada e, muito particularmente, o Brasil, dentro da sua incontestável missão  de difundir o Evangelho pelo mundo, de modo a edificar-se o homem do futuro nas  mais consoladoras verdades celestiais.

 E faz-se preciso notar que  para um esforço dessa natureza o plano invisível não requisitou as forças que o  servem ostensivamente; chamou ao testemunho o missionário despreocupado dos  fenômenos, para a demonstração da essência dos ensinos, buscando-o nos templos  de outra ordem, onde a verdade relativa se há fechado muita vez na sombra do  dogmatismo, pelas imposições do sacerdócio que, em todos os tempos, eliminou as  mais belas florações do profetismo.

 Associamo-nos às vossas  alegrias recebendo essa dádiva de confortadoras e decisivas revelações, que se  destinam à demonstração da linha sagrada e universalista do progresso do mundo,  sob o olhar misericordioso Daquele cujas palavras são amor e vida e jamais  passarão.

 Fazendo a nossa reverência espiritual  aos elevados mentores que inspiraram esse esforço, desejamos-vos a paz de Deus,  esperando que sua bênção de amor conforte as nossas almas o esclareça os nossos  corações.

Emmanuel

Será necessário dizermos algo sobre o  nome de quem subscreve esta mensagem?  Mais do que quaisquer palavras nossas,  falam por si mesmas as suas notáveis e maravilhosas obras, do conhecimento,  hodiernamente, não só dos espiritistas brasileiros, como também de milhares de  confrades de países de outros continentes, todas exaltando as excelências do  Cristianismo e interpretando-lhe os ensinamentos, à luz da Terceira  Revelação.

 Emmanuel, incontestavelmente um dos  maiores exegetas das letras sagradas do Mundo Maior, desvelado Nume Tutelar da  Alta Espiritualidade, dispensa comentários, e não seremos nós que teremos a  veleidade de fazê-los… Dizer o quê?  Está dito tudo!

REFORMADOR, FEVEREIRO,  1979

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